Guia · Código Civil

Contrato de gaveta: o que é, validade e riscos

O contrato de gaveta vale entre quem assinou, mas não transfere a propriedade do imóvel. Entenda exatamente o que ele resolve, o que não resolve e como regularizar.

Referência

O que o contrato de gaveta faz e não faz

A separação entre o que vale entre as partes e o que exige registro público.

Ver tudo o que o contrato de gaveta cobre (9 itens)
Obriga comprador e vendedor ao acordado — O que FAZ

Preço, prazo, entrega da posse e obrigações são exigíveis entre as partes

Transfere a posse do imóvel — O que FAZ

O comprador passa a ocupar e usar o imóvel

Serve como prova do negócio — O que FAZ

Documento particular com 2 testemunhas é título executivo (art. 784, III, CPC)

Permite exigir a escritura depois — O que FAZ

Cabe ação de adjudicação compulsória se o vendedor se recusar

Transferir a propriedade — O que NÃO faz

Só o registro na matrícula transfere (art. 1.245 do Código Civil)

Proteger contra penhora do titular — O que NÃO faz

Dívidas de quem consta na matrícula podem atingir o imóvel

Valer perante terceiros — O que NÃO faz

Sem registro, não há publicidade do negócio

Substituir a anuência do banco — O que NÃO faz

Em imóvel financiado, a transferência sem anuência viola o financiamento

Isentar do ITBI — O que NÃO faz

O imposto continua devido na regularização

Observação: Fonte: Código Civil (arts. 481, 1.245) e Código de Processo Civil (art. 784).

Comparação

Gaveta, escritura e registro

As três etapas de uma compra de imóvel e o que cada uma garante ao comprador.

Etapa O que garante Onde se faz
Contrato de gaveta Obrigação entre as partes e a posse do imóvel Entre particulares, sem cartório
Escritura pública Forma exigida por lei acima de 30 salários mínimos Tabelionato de Notas
Registro na matrícula A propriedade — o comprador vira dono Cartório de Registro de Imóveis

Enquanto não houver registro, o proprietário perante a lei é quem consta na matrícula, ainda que o contrato de gaveta seja válido entre as partes.

Na prática

Os riscos reais

O contrato de gaveta é lícito, mas concentra riscos concretos — para os dois lados.

A

Risco para o comprador

Sem registro, o comprador tem o imóvel mas não é o proprietário: dívidas do titular podem levar à penhora, e ele pode até vender o bem a terceiro de boa-fé.

  • Penhora por dívidas de quem consta na matrícula
  • Impossibilidade de usar o imóvel como garantia
  • Dificuldade de revenda e de financiar
B

Risco para o vendedor

Quem vendeu continua como titular: responde por IPTU, taxas e, em imóvel financiado, segue devedor perante o banco.

  • IPTU e dívidas continuam em seu nome
  • Financiamento não quitado permanece sob sua responsabilidade
  • Negativação por débitos gerados pelo comprador
C

Imóvel financiado (o caso mais delicado)

Transferir um imóvel com alienação fiduciária sem anuência do banco viola o contrato de financiamento e pode gerar o vencimento antecipado da dívida.

  • O imóvel está gravado em nome da instituição financeira
  • A regularização exige quitação ou assunção formal da dívida
Como regularizar

Do gaveta ao registro

O caminho para virar proprietário de fato começa por um contrato bem redigido.

Compra e Venda de Imóvel

Modelo com matrícula, cláusula de escritura pública, registro e ITBI — o contrato que leva à regularização.

WordPDFGrátis
Baixar contrato de imóvel

Contrato de Compra e Venda

O modelo geral, com as cláusulas de vícios ocultos e evicção que protegem o comprador.

WordPDFGrátis
Baixar contrato geral

Como fazer um contrato

As cláusulas essenciais e o que torna o documento exigível na Justiça.

Ler o guia
Termos relacionados

Vocabulário do contrato de gaveta

Os termos que aparecem quando se discute a regularização de um imóvel.

Matrícula do imóvel Adjudicação compulsória Alienação fiduciária Escritura pública ITBI Usucapião Compra e venda de imóvel Terceiro de boa-fé